EU VIAJANTE

Sophia Costa  -  April 12, 2020

Todo viajante tem uma história! O bichinho da viagem sempre morde alguém de uma maneira diferente. Bem, como já contei em outro post, viajar nunca foi meu sonho de infância. Comecei minhas viagens totalmente sem querer, de forma totalmente não planejada e cada viagem me trouxe um aprendizado e me modificou de alguma forma. Aquela história de que você nunca volta o mesmo de uma viagem é a mais pura realidade. Vem comigo:

O INÍCIO

A primeira vez que eu entrei em um avião foi com 20 anos, em 2014, para um congresso da faculdade. Foi um momento emocionante na minha vida. Sentei na janela e esperei o medo vir, só que ele nunca veio. Quem veio com tudo foi a empolgação, o frio na barriga e a vontade de fazer aquilo de novo, de novo e de novo.

Em 2016 eu queria viajar para comemorar o final da faculdade. Seria minha primeira viagem paga com o meu próprio dinheiro. A ideia era ir pra Morro de São Paulo. Pesquisei os valores e quase chorei. Decidi então dar uma olhadinha nos valores para Buenos Aires e, TADAM, quase a metade do preço. Argentina, aí fomos nós. A sementinha da viagem foi plantada. Me apaixonei tanto por Buenos Aires que dois anos depois até voltei pra morar.

ALGUNS CLICHÊS, EUROTRIP E MOCHILÃO

O namorado da época, influenciado pelos meus discursos sobre como viajar era incrível, decidiu fazer intercâmbio em Portugal e me chamou pra fazer o começo dessa aventura com ele. Dinheiro era algo que não estava sobrando e compramos a passagem pro destino mais barato que encontramos em meio à promoções: Milão. Eu tenho uma tia que mora Suíça e que sempre me convidou para visitá-la. Finalmente havia chegado o momento. Foram 20 dias de inverno europeu entre Itália e Suíça .

Voltei dessa viagem e comecei a trabalhar pra poder juntar dinheiro. Meu foco era viajar e juntei todo meu salário durante seis meses. E lá fui eu de novo, dessa vez pra fazer a típica Eurotrip. O roteiro foi: Portugal (Lisboa), Espanha (Palma de Mallorca), Holanda (Amsterdam), Reino Unido (Londres), França (Paris) e de volta pra Espanha (Barcelona). Foi a primeira vez que eu passei meu aniversário viajando (em Paris, olhando pra torre Eiffel!!) e foi nesse momento que eu decidi que os meus próximos aniversários seriam todos comemorados em um país diferente.

VIAGENS TRANSFORMADORAS

Em 2017 muitas coisas aconteceram e eu continuei trabalhando e juntando dinheiro pra próxima viagem que eu nem fazia ideia de qual seria. Eu tinha gostado das minhas viagens pra Europa, mas decidi que a próxima não seria só de turismo, eu queria um significado maior.

Em novembro acordei em uma sexta de Black Friday pensando em talvez comprar um tênis. Eis que abro o Instagram e vejo minha amiga Neggata falando sobre uma promoção de uma ONG voltada para intercâmbios sociais: o valor do intercâmbio para fazer trabalho voluntário estava de R$1.600 por R$300! Levantei da cama e fui na mesma hora na sede da empresa. Me apliquei para para dar aula de artes para crianças na capital de Moçambique. Fiz a entrevista na hora e fui aceita. Paguei e no final do dia tinha outro destino definido para passar meu aniversário do próximo ano: o sul do continente Africano.

Quando eu comprei por impulso esse intercâmbio eu tinha pouco dinheiro guardado e nem sabia se eu poderia tirar férias. Eu só sabia que eu iria. O intercâmbio iria durar um mês, comigo morando em uma casa de uma família moçambicana enquanto dava aula em duas escolas da cidade. Mas eu queria mais, um mês estava parecendo pouco. Fiz meu planejamento financeiro, falei com meu chefe e consegui férias de 30 dias. Quando fui comprar a passagem, comprei para 3 meses. Minhas amigas que estavam comigo na hora perguntaram se eu era louca. Talvez eu fosse.

A questão é que na minha vida quase nada é planejado, as coisas vão simplesmente se encaixando. Eis que, pouco tempo antes da data da minha viagem, a agência que eu trabalhava simplesmente faliu e foi todo mundo demitido. Lado positivo: eu poderia ficar os meus três meses sem problemas. Lado negativo: quando eu voltasse eu não teria um emprego.

Bem, foi aí que mais uma coisa doida (ou sincronicidade do universo) aconteceu: um dia antes de embarcar para Joanesburgo, recebi uma proposta de trabalho freelancer remoto, que me pagaria mais do que todos os empregos que eu já tinha tido até o momento. Aceitei e embarquei para essa aventura com um emprego garantido.

RENASCENDO NA ESTRADA

Meu roteiro pelo sul do Continente foi assim: cheguei pela África do Sul, onde passei uma semana. Segui de ônibus para Moçambique e morei durante um mês na capital Maputo. Nesse meio tempo consegui fazer algumas pequenas viagens, inclusive passei meu aniversário sozinha na praia mais incrível que eu já vi na minha vida (praia do Tofo). Também fui conhecer um país-reino de monarquia absolutista, a Suazilândia.

Terminado o período do meu trabalho voluntário, voltei pra África do Sul, aprendi a surfar e segui pra Botswana pra ter uma experiência de Safari diferente e dormir em uma barraca no meio da Savana. Foram três meses viajando pelo sul desse continente incrível e, de verdade? Eu ainda achei pouco. Os planos de voltar são reais e acontecerão em breve.

MORANDO FORA DO BRASIL

Muito antes de decidir fazer essa viagem, eu já havia decidido que queria fazer um mestrado. Fiquei mais de um ano me aplicando pra diversos programas. Eu tinha dois pré requisitos: queria que fosse em outro país e queria estudar questões raciais e poder dar continuidade à minha pesquisa sobre Identidades Negras que eu comecei no meu TCC.

Quando eu estava quase no final do meu período no continente africano, descobri que tinha passado pra segunda fase em um dos mestrados e teria que fazer uma entrevista. Fiz a tal entrevista pelo celular, em espanhol e sentada em um bar no meio da Savana Africana. No próximo mês eu teria a resposta.

Voltei pro Brasil sem nenhuma ideia do que eu faria dali pra frente. O plano era chegar em casa e pensar nas possibilidades de futuro, mas nem deu tempo. Um dia depois de ter chegado em São Paulo recebi o e-mail da Universidade avisando que eu tinha sido selecionada para o mestrado e que as aulas começavam em pouco mais de um mês, em Buenos Aires, na Argentina.

Voltei pra casa, desfiz a mochila e arrumei minha mudança. Tirei o visto de 2 anos e me mudei. Final de outubro de 2018 já estava morando em terras portenhas e fazendo um mestrado em Direitos Humanos.

2019 foi o ano focado no mestrado e na tese, mas ainda deu tempo de conhecer alguns lugares. No carnaval fui pro Uruguai ficar hospedada na casa uma amiga uruguaia e, no final do mestrado, fui conhecer a minha tão sonhada Colômbia, em uma viagem de um mês para comemorar o meu aniversário. Eu já era apaixonada pela Colômbia antes e o amor só se consolidou.

Ufa, enorme né? Culpa desse universo que vai encaixando as coisas na minha vida e fazendo elas fluírem de uma forma que daria um livro. No final de 2019 finalizei meu ciclo em Buenos Aires e apontei meu dedinho pra outro lado do mapa. Pra onde eu vou agora? Continuem comigo que em breve eu dou mais detalhes e a gente embarca juntos na minha próxima aventura! Qualquer dúvida, vocês já sabem onde me encontrar.

Beijos da Sô.